O intestino é um órgão do qual depende não só a saúde, mas também a qualidade de vida. E embora seja capaz de digerir quase qualquer alimento, mudanças súbitas na dieta podem causar manifestações muito desagradáveis — por exemplo, constipação ou diarreia, dor abdominal, distensão. Neste artigo contamos como a dieta afeta o sistema digestivo, quais sintomas podem indicar problemas gastrointestinais e como preveni-los a tempo.
Como a dieta afeta a saúde intestinal?
Seu intestino funcionará normalmente se você o "alimentar" corretamente. Sua alimentação precisa ser balanceada em proteínas, gorduras e carboidratos, e isso é um fato incontestável.
Proteínas (proteínas) — material de construção; são necessárias para a reconstrução das células do sistema digestivo, especialmente quando estão danificadas por infecção ou inflamação. As proteínas também participam da formação de enzimas, hormônios, anticorpos e muitas outras substâncias essenciais.
Carboidratos são uma fonte de energia para o corpo e um estimulador da motilidade intestinal. Mas isso é verdade apenas para alguns carboidratos — por exemplo, a fibra dietética (fibras).
A fibra é um polissacarídeo complexo que não é absorvido no intestino. Elas podem ser solúveis (aveia, casca da maçã) e insolúveis (farelo)
Efeitos benéficos da fibra alimentar:
- Estimulam a motilidade intestinal e melhoram a peristalse;
- facilitam a evacuação;
- previnem ou eliminam a constipação;
- Sensação prolongada de saciedade;
- estabilizam os níveis de glicose no sangue (fibras solúveis 'fazem' isso).
Além disso, a fibra é indispensável para melhorar a digestão porque é um excelente prebiótico — alimento para as bactérias benéficas que vivem no intestino grosso. Elas quebram polissacarídeos complexos e assim obtêm os nutrientes necessários, sem os quais seu crescimento e reprodução seriam impossíveis.
A fibra dietética ajuda a equilibrar a microflora intestinal, fortalecendo a saúde do sistema digestivo e também do sistema imunológico.
Gorduras também são necessárias para o intestino — participam da formação das membranas celulares e melhoram a função de barreira do trato digestivo. Os ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs) têm propriedades anti-inflamatórias e ajudam a combater a inflamação no intestino. Podem ser úteis em condições graves, como a doença de Crohn ou a colite ulcerativa não específica.
Além disso, sem alimentos gordurosos no intestino, as vitaminas lipossolúveis — A, E, D, K — não serão assimiladas, e estas são simplesmente vitais para o organismo e especialmente para o sistema imunológico.
Mas apesar dos benefícios de uma dieta equilibrada, devemos lembrar que o trato gastrointestinal 'se acostuma' a certos alimentos. E se você o alimenta com kebab por muito tempo e depois muda repentinamente para farelo — o intestino não vai gostar. A introdução de proteínas na dieta também deve ser feita com cuidado, especialmente após alimentos ricos em gorduras e carboidratos — o resultado provavelmente será constipação. E, inversamente, alimentos gordurosos podem causar diarreia. Por isso os médicos sempre lembram que a mudança da dieta deve ser feita gradualmente.
Curiosidade! O intestino adapta-se não apenas a certos alimentos, mas também a certas bactérias. E se em algum lugar os locais bebem água da torneira sem problemas, os recém-chegados podem apresentar vômitos e diarreia intensa mesmo após escovar os dentes ou lavar frutas. Isso é chamado de diarreia do viajante e é muito comum em países em desenvolvimento
Boa alimentação para a saúde intestinal
Existem muitas dicas nutricionais descritas na internet para normalizar o trato gastrointestinal. Destas, podemos destacar as mais importantes:
- Coma alimentos saudáveis e não esqueça das fibras;
- tente não interromper sua alimentação e não mude a dieta abruptamente (a digestão pode sofrer com tal mudança e levará tempo para se restabelecer)
- Beba bastante líquido;
- Seja fisicamente ativo;
- lembre-se de probióticos e prebióticos;
- conheça os principais sintomas de problemas gastrointestinais e consulte um médico se eles ocorrerem.
Alimentos para normalizar a função intestinal
Para manter o intestino funcionando como um relógio, sem sensações desagradáveis ou 'surpresas', sua dieta deve incluir fontes de
- fibras - vegetais e frutas (brócolis, espinafre, cenouras, maçãs, peras, frutas vermelhas e outros), leguminosas (feijão, grão-de-bico, lentilhas), produtos integrais (aveia, arroz integral, pão integral), farelo de aveia;
- gorduras saudáveis (incluindo ácidos graxos ômega-3) - salmão, atum, sardinha, cavala e outros peixes gordurosos, óleos vegetais - por exemplo, azeite e óleo de linhaça, abacate, oleaginosas. Importante! O óleo de linhaça tem muitas contraindicações, incluindo algumas doenças gastrointestinais, como úlceras gástricas, além de pancreatite, colecistite aguda, desequilíbrio hormonal etc...;
- proteínas - prefira carnes brancas e proteínas vegetais (por exemplo, leguminosas, soja) e limite a carne vermelha
- Probióticos - produtos lácteos fermentados (por exemplo, iogurte, kefir) e alimentos fermentados (por exemplo, chucrute, kimchi). Os probióticos contêm bactérias lácticas benéficas que restauram e mantêm o equilíbrio da microflora intestinal;
- Prebióticos - alho, cebola, bananas, aspargos, alcachofras. Prebióticos são um "substrato" para as bactérias no intestino grosso, uma fonte de nutrientes.
Gengibre (estimula a produção de enzimas) e hortelã-pimenta (alivia espasmos, "acalma" o intestino) também melhoram a digestão. Observação: o gengibre é contraindicado em gastrite, úlceras pépticas, colite, arritmia cardíaca e outras doenças, assim como no final da gravidez e durante a amamentação.
Mas mesmo com alimentos benéficos, é importante não exagerar, e isso é especialmente válido para as fibras insolúveis. Devem ser introduzidas na dieta lentamente, em pequenas porções — e lembre-se de que, inicialmente, podem causar flatulência, dor abdominal e aumento das evacuações.
Dieta
Gastroenterologistas debatem constantemente como deve ser a dieta e discutem os benefícios/malefícios de 'beliscar' entre refeições. Ainda assim, a maioria recomenda comer de 3 a 5 vezes ao dia: no caso de resistência à insulina é melhor evitar lanches, mas em caso de problemas na vesícula biliar ou hipoglicemia fisiológica, uma dieta fracionada é o ideal.
O principal é tentar comer nos mesmos horários e pelo menos 3 vezes ao dia.
O papel da água na digestão
Sem fluidos, a digestão normal é impossível. Por exemplo, a saliva, que inicia a quebra dos alimentos na boca, é composta por 98% de água. As enzimas no trato digestivo também precisam de fluidos suficientes para funcionar adequadamente.
Se há falta de água no organismo, as fezes tornam-se mais compactas, seu trânsito pelo intestino desacelera e ocorre a constipação.
Mas mesmo que a pessoa não goste de beber água pura, não desespere. Ela pode ser substituída por compotas, sucos, chás de ervas. Além disso, há várias frutas e vegetais particularmente ricos em líquido. São eles melões (por isso não se recomenda consumi-los à noite), abóboras, laranjas, pepinos.
Atividade física e o intestino
A atividade física é uma excelente forma de normalizar a peristalse intestinal, especialmente se você tem tendência à constipação. Afinal, o trato digestivo também é composto por músculos, e quando você se movimenta eles começam a 'trabalhar' como os demais músculos.
Caminhadas, corrida, natação, yoga e ginástica regular são úteis para restaurar os movimentos intestinais. Esses exercícios também impactam outros sistemas — especialmente o respiratório e o cardiovascular.
Como melhorar a função intestinal após uma mudança na dieta?
Uma mudança na dieta pode afetar tanto a peristalse intestinal quanto a composição de sua microbiota. O sistema digestivo leva tempo para se adaptar a uma alteração alimentar, e durante esse período é muito importante preservar sua saúde e certamente não agravá-la com alimentos prejudiciais.
O que NÃO comer ou beber ao restaurar a função intestinal:
- fast food;
- carnes gordurosas;
- batatas fritas;
- confeitaria com muito óleo/gordura;
- doces e guloseimas;
- sobremesas não dietéticas;
- refrigerantes açucarados.
Você também deve evitar alimentos picantes por um tempo, pois irritam as mucosas do estômago e dos intestinos. Com molhos fortes (chili, Tabasco) e condimentos picantes (jalapeño, pimenta caiena) deve-se esperar até que o trato digestivo volte ao normal.
Alguns produtos úteis na restauração da atividade gastrointestinal podem ser prejudiciais se consumidos em grandes quantidades. Isso se deve à sua capacidade de aumentar a formação de gases e causar dor (cólicas, atrito) no abdómen. Tais produtos incluem:
- feijão e ervilhas;
- cebola e alho;
- couve (repolho branco, couve-flor, brócolis, couve-de-bruxelas).
Produtos lácteos podem causar desconforto abdominal e diarreia em pessoas com digestão sensível e intolerância à lactose (isso pode ocorrer ou aumentar com a idade). Nesse caso, não sobrecarregue o trato digestivo com leite, nata, queijos ou sorvete. Esses produtos devem ser introduzidos gradualmente, em pequenas quantidades e preferencialmente desnatados.
Produtos que contêm glúten (pão e derivados de trigo, massas, alguns cereais) devem ser tratados com cautela, pois o intestino pode ficar particularmente sensível ao glúten durante o período de recuperação.
Importante! Se houver suspeita de intolerância ao glúten, os alimentos acima devem ser excluídos da dieta, caso contrário os problemas gastrointestinais persistirão. Em geral, a verdadeira intolerância ao glúten (com ou sem doença celíaca) é bastante rara e é diagnosticada por exames laboratoriais
Você também deve limitar vegetais e frutas cruas, pão integral e produtos cereais de alto teor de fibras. Eles certamente são muito úteis para o organismo, mas a fibra dietética pode estimular excessivamente a peristalse intestinal. E então será necessário consultar seu gastroenterologista para tratar a diarreia.
Mas não é só a comida que influencia o estado do intestino. Café, chá forte, energéticos irritam o revestimento do trato gastrointestinal e aumentam sua atividade motora. Isso leva a dor abdominal e alterações do trânsito intestinal.
Observação: para algumas pessoas uma xícara de café com leite funciona tão bem quanto um laxante de farmácia.
Como restaurar o equilíbrio da microflora?
A microflora do trato digestivo pode sofrer após uma mudança brusca na dieta, intoxicação alimentar (infecção tóxica alimentar) ou uso de antibióticos. Produtos contendo bactérias do ácido láctico - probióticos - ajudarão a restaurar o intestino. Os mais 'gostosos' entre eles são kefir e iogurte.
Observação: nas farmácias você pode comprar iniciadores bacterianos especiais e fazer suas próprias bebidas a partir de leite fermentado. Claro, terão vida útil mais curta, mas esses kefirs e iogurtes certamente trarão mais benefícios ao organismo.
A microflora intestinal também precisa ser 'alimentada', e é aí que prebióticos entram. Os alimentos prebióticos disponíveis são:
- cebola;
- alho
- alho-poró e aspargos;
- bananas, especialmente as verdes;
- maçãs;
- aveia e cevada;
- abóbora, feijão e outras leguminosas;
- inhame.
Mas infelizmente, às vezes a alimentação sozinha não consegue restaurar a microbiota intestinal, e o intestino continua a incomodar. Nessa situação, é necessário procurar o médico de família ou um gastroenterologista, e o especialista certamente escolherá a melhor terapia.
Para melhorar a saúde do trato digestivo, podem ser usados probióticos 'de farmácia' que contenham lactobacilos, bifidobactérias ou levedura Saccharomyces. Se você tem tendência à constipação, prebióticos eficazes — lactulose e inulina — são utilizados. E se for necessário restaurar a função intestinal o mais rápido possível, seu médico pode recomendar sinbióticos — que contêm uma combinação de probióticos e prebióticos e 'matam dois coelhos com uma cajadada só'.
Como prevenir diarreia/constipação após mudar a dieta?
Se a alteração do trânsito intestinal é causada pelo consumo excessivo de fibras ou alimentos gordurosos, simplesmente limitar esses alimentos é suficiente e com o tempo o trato digestivo se normaliza. Mas se falamos de diarreia do viajante — não se resolve sem medicação. Podem ser necessários antibióticos (azitromicina, rifaximina) ou antidiarreicos (loperamida).
Importante! Alguns probióticos demonstraram eficácia em estudos para prevenir a diarreia do viajante.
Com uma mudança repentina na dieta, não só podem ocorrer alterações do trânsito (diarreia), mas também constipação. Nesse caso, é necessário prestar atenção à quantidade de proteína na alimentação (às vezes seu 'excesso' leva à diminuição das evacuações) e consumir mais carboidratos na forma de fibras.
A constipação está frequentemente associada à ingestão insuficiente de água, pois quanto menos líquido chega ao trato digestivo, mais compactas ficam as massas fecais e mais difícil é seu trânsito pelo intestino.
Observação: às vezes a peristalse também é afetada pela qualidade (dureza) da água, então em um local novo é sempre melhor beber apenas água engarrafada.
Também lembre-se de ser fisicamente ativo e não ficar no sofá se seu intestino começar a funcionar pior do que o habitual.
Se fibras, água e mudanças no estilo de vida não ajudarem, os médicos recomendam o uso de lactulose ou inulina para estimular a peristalse. Mas esses remédios frequentemente causam excesso de gases e dor abdominal, portanto não são adequados para todos.
Em casos de intolerância ou ineficácia dos prebióticos sintéticos, laxantes são adequados — por exemplo, comprimidos Dulcolax. Estes contêm bisacodyl, que ao mesmo tempo amolece as massas fecais e estimula a peristalse intestinal. Este medicamento destina-se ao uso de curto prazo (alívio rápido da constipação causada, por exemplo, por uma mudança na dieta) e pode até ser prescrito para crianças (a partir dos 4 anos).
A eficácia dos probióticos para constipação está atualmente apenas sendo pesquisada.
Quando consultar um médico?
Deve-se consultar um médico se a constipação/diarreia ocorrer sem motivo aparente ou se for prolongada. Sintomas como dor abdominal, inchaço persistente/gases, alterações na forma das fezes, muco, partículas de alimento não digerido, etc. também devem ser investigados.
É importante estar atento a sintomas de alarme como dor abdominal persistente à noite, sangue nas fezes, aumento injustificado da constipação ou alternância com diarreia, perda de peso e anemia em combinação com distúrbios digestivos
Tais sintomas podem indicar um tumor (câncer) do intestino. Entretanto, essa doença é atualmente bem tratável — com encaminhamento oportuno ao médico, o prognóstico para a maioria dos pacientes é favorável.
A equipa Liki24 deseja-lhe boa saúde e uma digestão perfeita!